6 de fevereiro de 2008

RELATIONSHIPS!


Uma vez li, horrorizada, em uma revista feminina uma dica assim: “É a final do Campeonato e você quer conversar? Coloque uma roupa bem provocante e fique perto dele, ele vai perceber e pode gravar o jogo pra assistir depois”. Como sou super fã de futebol comecei a imaginar o quanto isso pode atrapalhar um relacionamento. Porque pra quem ama futebol, jogo decisivo de campeonato é muito importante. Pode não ser o meu time, nem o campeonato do meu país, mas é importante demais! E o pior é que falo sério.

Futebol é parecido com religião. Uns são mais fervorosos, outros menos. Os fanáticos geralmente sofrem horrores – geralmente são os que dão entrada no hospital em época de Copa do Mundo. Mas a maioria dos brasileiros tem a sua fé, digo o seu time. Pode não ter camisa, nem saber o hino do clube, mas sabe pra quem torce. Na Copa do Mundo então... Quem menos gosta é que faz a melhor festa! Tá certo, brasileiro que é brasileiro torce ao menos pra Seleção.

Desta vez a Espelho Meu vai mostrar o olhar de uma mulher sobre o futebol. Uma visão diferente, digamos, mas não menos interessante. Por Nanu. .

Eu entendo os homens que são loucos por futebol. Quem não seria, observando a coisa pelo ângulo correto? Veja bem, são vinte e dois marmanjos suados e com cara de malvados, correndo em um gramado. Pela própria natureza do esporte, eles têm umas pernas que, ai Jesus! E o tanquinho, que dizer do tanquinho? Eu prefiro assistir futebol pela tevê, assim o ângulo de câmera me dá a impressão de que eles estão correndo pra mim, e melhor, correndo com vontade, arfando e bufando e dando empurrando uns aos outros. Me sinto a tal nessas horas.

Tem o lado lúdico do futebol também. Vez por outra algum mais desastrado presenteia a audiência com um lance digno de rinoceronte em loja de cristais. O juiz também me diverte muito, correndo pra lá e pra cá, sempre sobrando, tadinho. Parece aquele garoto rejeitado do colégio que queria muito jogar bola. O juiz é a revanche dos excluídos: não deixam o pobre pegar na bola, mas quando ele apita ta apitado e pronto. Ele manda. Ver jogador dando entrevista também me entretém, não só pelas frases meio desconexas e redundantes, mas pela sutileza cômica da cena, que, tenho certeza, poucos repararam até hoje: o cara lá, suando em bicas e cuspindo no repórter, que faz malabarismos corporais para ainda que debaixo daquela chuva salgadinha, o microfone continue onde deve ficar. Sutilíssimo, é a parte do jogo em que eu presto mais atenção.

Outra coisa que me intriga nesse esporte de alto nível é a visão de águia dos comentaristas e dos locutores. Se eu, de óculos, assistindo pela televisão, não consigo ver direito quem é quem, como eles lá em cima, lá longe, conseguem saber inclusive o nome das figurinhas pequenas correndo pra lá e pra cá? Fico fascinada com isso! Será que nos sonhos eles também vêm homenzinhos correndo?

De qualquer forma, a melhor parte mesmo são as pernas. É inútil prestar atenção na bola porque ela nunca está onde deveria, e ninguém sabe onde vai parar. O juiz é incapaz de dizer se um pênalti é mesmo um pênalti, e a torcida é composta de pessoas mal educadas e deselegantes que ficam gritando palavras chulas e jogando xixi nos outros. Se os homens pensam como eu, não sei. Acho que boa parte pensa sim. Vai saber, mas de uma coisa eu estou certa: aqui em casa nunca teve reclamação minha com futebol. Eu adoro, é impagável.

Nenhum comentário: