Manual para adestrar Homem Xucro (Parte 1)
Resolvi usar meu tempo ocioso com uma coisa útil: consultar meus manuais de equitação pra ver se algo é aplicável aos nossos homens. Porque o importante nessa vida é tentar, não é mesmo? E como a coisa é longa, vamos aprender em capítulos.
Primeiro, imaginem o cara como um cavalo adulto já, cheio de manhas e vícios. Aquele tipo que empina, dispara, faz fuzuê. Feito isso, eu vou explicar o processo em linhas gerais. Existe uma pirâmide no processo de doma que tem que ser respeitada. A base é o que a gente chama de retidão, porque nem todo mundo sabe, mas cavalos não sabem andar em linha reta. Não nascem sabendo e alguns passam a vida toda sem aprender. Assim é com os homens. Andar em linha reta é básico pra um cavalo de sela, é o que gente chama no nosso jargão de “ estar entre as pernas do cavaleiro” – sem pensar besteiras, viu mulherada? A pressão das pernas comanda o movimento pra frente e tem que ser imediatamente respeitada. E os homens com isso? Fácil. A linha reta pra eles seria aqui o compromisso. Tem homem que acha que casamento é a vida de solteiro em que alguém reclama da tampa da privada levantada. E não é, nessa fase o homem tem que entender que ele agora precisa pensar como dois já que ele é parte de um casal. Parece simples, né? Mas não é. Mudar as regras do jogo com o casamento em curso é um típico comportamento de homem que se acha solteiro, que pode fazer o que quiser. Então, vamos fazê-lo andar em linha reta.
Coloque o homem pra andar, só deixando errar é que você tem chance de corrigir. Nesse caso, arrume logo uma crise, uma DR em hora e local inapropriado, pra forçar a situação do erro. Puxe conversa sobre o tema que incomoda – como a vinda dos enteados, por exemplo. E deixe que ele exploda. Domador de cavalo com medo de piti de cavalo não vai a lugar nenhum, o piti é necessário.
Dado o piti, deixe ele falar o que quiser, e se for do tipo fechado, force mesmo, sem medo. O pior que pode acontecer é uma cara amarrada. Ai você já deu dois passos: desnudou o erro, e já começou a correção. Depois que ele falar, você firma a sua rédea e muda o tom de voz ( que tem sempre q ser baixo e grave, levemente ameaçador) e manda a regra: isso não vai acontecer porque curiosamente eu também moro lá. E acabou a conversa. Agora quem não vai querer conversar é você. Deixe ele com a irritação, você já pode voltar a falar amenidades com o tom de voz mais alegre possível. Lembre-se, ele dá o piti, você dita sua regra, e muda de assunto. Tom de voz estridente irrita, mas o grave disciplina.
Agora, pra encerrar essa sessão de treinamento, como todas as demais, a gente precisa ter em vista que é necessário terminar num bom momento para o cavalo, ou para o homem. Termine sempre seu treinamento e sua pressão com um chamego, e de bom humor. Ele vai ficar confuso, sem saber o que você vai fazer adiante. Esse é o segredo. Cavalo que antecipa o que o cavaleiro vai fazer é o cavalo que vai te derrubar. Deixe ele confuso que assim ele vai estar sempre prestando atenção em você. Repita quantas vezes forem necessárias, porque com alguns demora, ainda mais com cavalo velho. E nunca deixe que o bicho te irrite, porque assim eles testam sua autoridade.

Um comentário:
Nanu, comecei a ler teus textos ontem, mas juro que este é muito, muito bom!!!! Se eu fosse editora você certamente seria convidada a escrever um livro.... Parabéns!!!!
Emanuelle Borges
Postar um comentário