Belo Horizonte
Quero começar esta apresentação sobre Belo Horizonte corrigindo uma injustiça feita pelas grandes emissoras de televisão. Ninguém em Beagá fala “Beolzonte”, ninguém! Só quem é de fora. Aqui falamos tudojuntin: Beagá ou Belorizonte. Ai, como odeio quando falam: “Você é de Beolzonte?”. Argh! Tenho vontade de gritar!
Pronto, feita a minha correção, vamos falar dessa cidade que aprendi a amar depois de crescida. Eu nasci aqui, na maternidade Otaviano Neves. Minha família paterna é do Rio e desde sempre eu quis ter nascido lá. Passava as férias na casa da minha avó e voltava puxando os “esses”, falando carioquêixxx (me dêem desconto, eu era criança!). Eu mentia para meus colegas de classe e falava que era carioca.
Depois virei adolescente e parei com essa bobagem. Só que continuava a achar a minha cidade insossa e inodora. Tudo era tão sem-graça! Todas as revistas que eu lia falavam sobre os eventos no Rio ou em São Paulo. Falavam até de Brasília, Porto Alegre. Mas da minha Beagá não falavam nada. Eu continuei achando a minha cidade extremamente sem graça.
Um dia, ao falar mal daqui com uma colega jornalista, ela desligou o telefone na minha cara. Não entendi nada. Eu só estava falando a verdade: isso aqui é uma roça grande! Não tem nada pra fazer! Mas ela ficou muito brava.
Aí um dia eu quase me mudei daqui. Uns dias antes, andando de ônibus pela cidade, passei na Praça da Liberdade. E para meu espanto comecei a chorar! Eu olhava o coreto, as rosas, os bancos e lembrava dos encontros que eu já tinha marcado lá, das garrafas de vinho barato que bebia, ao som do violão, junto com os amigos. Lembrava da decoração de Natal, sempre tão linda. As pessoas ao redor me olhavam e eu lá, chorando.
Uns dois dias depois eu fui pra São Paulo. Quando eu cheguei por lá, eu nada entendi. Como assim o céu é sempre cinza? Em 15 dias eu vi o azul do céu só em dois! Nada contra a cidade que eu também me apaixonei, mas eu sentia tanta falta do céu daqui! Aí, quando voltei, percebi que eu era uma apaixonada por Belo Horizonte.
Aqui não tem Carnaval, se algum dia quiser fugir de um venha pra cá! O Mercado Central tem o melhor cheiro do mundo e uma ótima pedida é passar um sábado à tarde bebendo cerveja e comendo fígado acebolado com jiló (pode não parecer, mas é uma delícia!). Geralmente compro um peixe fresco pra fazer à noite e umas flores pra enfeitar a casa.
Outra maravilha é a Lagoa da Pampulha e o Mineirão. Ah, quando - lá em Sampa - eu vi meu time jogando, a torcida apaixonada, aquelas arquibancadas que eu conheço tão bem, fui para o banheiro chorar. Sou atleticana doente e só quem é de Belorizonte sabe o que é isso.
Desde que voltei só não fui à Feira Hippie. Lá encontra-se de tudo: quadros, animais, bijouterias, roupas. Funciona todo domingo, na Avenida Afonso Pena, uma das principais da cidade. Tem de tudo um pouco, vários retratos do Brasil em um só lugar.
Como podem ver eu me apaixonei pela minha cidade depois que saí dela. Comecei a gostar até do sotaque que eu falava tão mal. Esse trem de falar tudo arrastadin, de um jeitin que só quem é mineirin entende.
“Ês pens cu ôns é des”*. Entendeu? Pois é, quem é de Belo Horizonte entende.
*”Eles pensam que o ônibus é deles”. ; )

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